Jeff Bezos compra o ‘Washington Post’ por US$ 250 milhões

WASHINGTON – A Washington Post Company anunciou nesta segunda-feira a venda da sua divisão de jornais para Jeff Bezos, fundador e diretor executivo da Amazon.com, por US$ 250 milhões. O negócio encerra o ciclo de oito décadas da família Graham à frente de um dos principais diários americanos e coloca um dos pioneiros do mercado de e-books no comando de um tradicional veículo de comunicação.

– Todos os membros da minha família tiveram a mesma sensação inicial – de choque – até mesmo em pensar sobre a venda – disse Donald Graham, diretor executivo do “Post”. – Mas quando surgiu a ideia da transação com Jeff Bezos, mudei os meus sentimentos.

A Amazon não participa do negócio. Bezos, um dos homens mais ricos do mundo, vai assumir sozinho toda a divisão de publicações da Washington Post Company, que inclui os jornais “Washington Post”, “Express”, “Fairfax Conty Times” e “El Tiempo Latino”; os grupos The Gazette Newspapers e Southern Maryland Newspapers; e a editora Greater Washington Publishing.

A Washington Post Company continua como uma empresa de capital aberto, mas terá que mudar de nome. A companhia possui investimentos nas áreas de serviços educacionais e televisão.

Crise na indústria

Fundado em 1877, o “Post” já foi uma das referências do jornalismo mundial, com destaque para o caso Watergate, que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974. Este ano, o jornal foi responsável, junto com o britânico “The Guardian”, pela divulgação do escândalo de espionagem pelas agências de espionagem dos EUA.

Porém, assim como toda a indústria de jornais impressos nos EUA, o “Post” vem sofrendo com quedas na circulação e na receita publicitária. A divisão de jornais da companhia sofreu perda de 44% nas receitas operacionais nos últimos seis anos. A concorrência com a internet reduziu a audiência e pulverizou o mercado publicitário, além de ter praticamente extinto os anúncios classificados. Para tentar reverter as perdas, o “Post” anunciou em junho deste ano a implantação da cobrança pelo acesso ao site, o chamado “paywall”.

– O ‘Post’ poderia sobreviver sob comando da nossa empresa e continuar rentável no futuro próximo, mas nós queríamos mais do que sobreviver. Não estou dizendo que existe uma garantia de sucesso, mas dá uma chance muito maior – disse Graham.

Em entrevista, Bezos classificou o “Post” como uma “instituição importante” e expressou otimismo sobre o futuro.

– Eu não quero dizer que tenho um plano pronto. Este será um terreno inexplorado que vai exigir experimentações – afirmou Bezos, que assume pela primeira vez o comando de um jornal.

Sem mudanças no curto prazo

Apesar da troca no comando, Graham e Bezos afirmaram que o gerenciamento e as operações do jornal não serão modificados no curto prazo. A diretora de redação e sobrinha de Graham, Katharine Weymouth, continua no cargo, assim como o editor-executivo, Martin Baron. Os cerca de dois mil funcionários também serão mantidos.

– Não haveria mudança com ou sem um novo dono. Mas o que eu espero que as pessoas entendam é que os valores do ‘Post’ não precisam mudar. O compromisso do jornal é com os leitores, não com os proprietários – disse Bezos.

Fonte: O Globo

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