Vlogueiro Felipe Neto é o intelectual mais influente do Brasil, diz revista

Vlogueiro famoso no Brasil, com milhões de acessos no Não Faz Sentido, Felipe Neto é o intelectual mais infuente do País, afirma o colunista Ademir Luiz, que é doutor em História e pós-doutorando em Artes Visuais, na revista virtual Bula.

Ademir deixa claro em seu longo texto que sua opinião é polêmica. Ele resgata uma entrevista feita por Paulo Coelho em que o escritor declarava: “Sem dúvida, sou o intelectual brasileiro mais importante. Mas não queria dizer isso porque pode parecer arrogância. Refaz a frase aí de uma maneira que eu não pareça arrogante.”

“Sendo a internet um ambiente regido por espetáculos rápidos, seu intelectual modelo precisa ser também um show man capaz de atrair para si atenção, atenção e mais atenção. E um show man precisa ser convincente dentro da temática na qual atua, por mais burlesca, grotesca e absurda que pareça a primeira vista. Nesse quesito o vlogueiro carioca Felipe Neto parece ser o nome mais popular da internet brasileira e, por extensão, o intelectual mais influente do país. É possível, e até provável, que  nessa altura alguns leitores estão tão chocados quando eu fiquei ao ler o autoelogio de Paulo Coelho. “Não faz sentido”, pensam vocês. É compreensível, mas vamos aos fatos”, escreve o colunista.

Mais alguns trechos da explicação dele:

Dentre seus pares (fenômenos de popularidade na internet), Felipe Neto possui uma atuação intelectual mais consistente do que, digamos, Rafinha Bastos e PC Siqueira. O comediante Rafinha Bastos, que tem (ou tinha, não sei) o twitter mais influente do mundo, posta basicamente pílulas humorísticas. Para ler, rir, talvez repassar e esquecer. O colorista PC Siqueira, provavelmente o maior rival de Felipe Neto, tendo seguido trajetória semelhante, não desenvolve ideias e conceitos nos vídeos do “Mas Poxa Vida”, seu canal no YouTube. Basicamente faz comentários e críticas soltas, muitas vezes sem temas-chave que tornem seus vídeos reconhecíveis. Sua persona física inusitada é o foco, não os assuntos abordados em específico. Felipe Neto trabalha numa linha diferente. Em cada vídeo desenvolve uma tese, procura atingir um alvo. PC é uma metralhadora giratória. Felipe Neto é um sniper.

Vejamos um exemplo da atuação do vlogueiro. Quantos professores, críticos, irmãos mais velhos, nerds da turma, tentaram sem sucesso convencer aluna(o)s, leitora(e)s, amiga(o)s, namorada(o)s, esposa(o)s, tias solteironas, que os livros e filmes da série “Crepúsculo” são terrivelmente ruins, sexistas, conservadores e antifeministas? No momento em que escrevo esse trecho do artigo, o vídeo de Felipe Neto sobre esse assunto conta com 12.299.505 acessos, e crescendo. O vídeo é demolidor, não deixa pedra sobre pedra da “saga” de Stephenie Meyer. É usado sarcasmo, ironia, humor negro e grosseria explícita para ridicularizar não apenas o livro em si, mas, sobretudo, seu fã. É hilário e, tenho certeza, eficaz. Não tenho dúvidas que converteu muita(o)s apaixonada(o)s pelo vampiro Edward em detratores do sanguessuga emo. Algo que críticos gabaritados como Rubens Ewald Filho, Ana Maria Bahiana, Pablo Villaça e Isabela Boscov teriam muitas dificuldades para conseguir, devido ao alcance de seus artigos e perfil de seu público médio. Supõe-se que quem possui o saudável hábito de ler crítica de literatura e cinema é um espectador mais sofisticado e maduro, que não cai nas armadilhas da indústria da mídia de massa com tanta facilidade.

O que acham?

Fonte: Estadão.com.br

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