Integrado à nuvem, novo Office é peça-chave para Microsoft fortalecer seu ecossistema

A Microsoft apresentou na semana passada a nova versão do Office e reforçou sua visão de um futuro digital baseado na nuvem.

Ainda sem data de lançamento, o pacote de aplicativos não deverá ter versões para Windows XP ou Vista. A versão de testes exige Windows 7, 8 ou 2008.

Serviços de armazenamento e sincronização on-line gravam seus arquivos em redes de servidores (a nuvem), permitindo que você os acesse a partir de (quase) qualquer dispositivo conectado à internet. É conveniente principalmente para quem usa diferentes aparelhos –computadores (desktop, laptop, doméstico, do trabalho etc.), tablets, celulares–, pois diminui ou elimina a necessidade de transferir manualmente os arquivos de uma máquina a outra.
Alguns exemplos populares desse tipo de serviço são Dropbox, Google Drive, Apple iCloud e SugarSync. A Microsoft oferece o SkyDrive e procura fortalecê-lo integrando-o a serviços próprios, como Bing e Hotmail, e de terceiros, como Facebook e Twitter.

As próximas versões do Windows e do Office voltadas ao consumidor final terão forte integração ao SkyDrive.

O pacote de escritório permite que você acesse e grave arquivos na nuvem a partir dos próprios aplicativos –um dos locais-padrão para salvá-los, por sinal, é uma pasta no SkyDrive.

Mas a integração do Office à nuvem não se limita aos documentos.

Você pode, por exemplo, pegar um equipamento emprestado, fazer login na sua conta da Microsoft e usar os programas da suíte com os mesmos dados do seu computador pessoal –isso inclui configurações personalizadas dos aplicativos e até o ponto em que você parou dentro de um documento.

E o melhor: um recurso chamado Office on Demand permite usar o pacote também em computadores que não o tenham instalado. Nesse caso, os aplicativos são transferidos de maneira temporária –depois do logoff, eles são apagados, assim como os documentos (que ficam na nuvem).

O processo é relativamente rápido porque usa uma tecnologia de streaming que permite que os aplicativos sejam utilizados antes de completamente transferidos para o computador –assim como é possível assistir a um vídeo no YouTube sem baixar o arquivo inteiro antes. O recurso é usado também na instalação permanente do Office -você não precisa esperar que ela termine pare começar a usar os programas.

“Agora é o seu Office, não o Office da sua máquina”, disse Chris Pratley, gerente-geral de planejamento e design do Microsoft Office Labs, à “Wired”.

As configurações da sua conta podem ser acessadas a partir de um menu na barra superior dos aplicativos, que ganharam alguns retoques.

INTERFACE

O visual segue a mesma linha apresentada no Windows 8, com ângulos retos, cores sólidas e ícones simples.

A maioria dos programas, porém, ainda usa a interface “ribbon”, a mesma das edições 2007 e 2010, com barras de ferramentas divididas por abas. Ela foi desenhada para teclado e mouse –não é boa para operação com telas sensíveis ao toque.

Há um modo especial para toque, que aumenta o espaçamento entre os elementos da tela, mas ele não ajuda muito e é insuficiente para oferecer um uso fluido. A quantidade de menus e caixas atrapalha. Falta simplicidade.

A escolha da Microsoft até faz sentido. Teclado e mouse ainda são os melhores meios de entrada para programas de produtividade como os do Office, e seria desastroso priorizar uma interface para toque. Mas ela poderia ser melhor, e a própria empresa prova isso.

O aplicativo de anotações OneNote (e o mensageiro corporativo Lync) tem duas versões. A primeira é a “desktop”, com visual semelhante ao dos outros programas do pacote. A outra, chamada MX, é mais interessante –ela foi feita para o Metro, interface do Windows 8 voltada ao toque. O app usa um menu de contexto estilo “radial”, que apresenta comandos simples em um círculo próximo ao local de toque. É uma boa solução para tablets. Seria interessante ver versões equivalentes para os outros programas do Office.

O Windows RT, versão do Windows 8 para aparelhos com chips ARM, terá apenas a interface Metro e virá com uma versão especial do Office, mas ainda não há detalhes oficiais sobre o visual dos aplicativos.

OFFICE 365

A Microsoft não revelou edições, preços ou datas de lançamento, mas apresentou novos planos do Office 365, serviço de assinatura baseado na nuvem.

A grande novidade é uma modalidade voltada a consumidores finais, o Office 365 Home Premium, que incluirá Word, PowerPoint, Excel, Outlook, OneNote, Access e Publisher para instalação em até cinco computadores, além de 20 Gbytes de armazenamento extra no SkyDrive e 60 minutos mensais de ligações gratuitas pelo Skype.

Quem não quiser assinar poderá comprar apenas o pacote de aplicativos, sem o Office 365. A depender do preço, porém, o serviço de assinatura pode valer muito a pena.

Com a integração à nuvem e a inclusão do plano de assinatura para usuários finais, o Office, pacote de escritório mais popular do mundo, torna-se uma peça-chave na estratégia da Microsoft de fortalecer sua nuvem e, em torno dela, seu ecossistema.

Fonte: Folha de S. Paulo

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